sábado, 21 de novembro de 2009

OK, Paranoid


Estava numa nostalgia danada do show de Radiohead que fui neste ano, em março, na querida e cinza terrinha de minha amigue Clá. Nem lembro se postei a respeito na época, mas já que meu blog morreu e ressuscitou, não há como saber agora.

Quem estava lá sabe que o show foi uma catarse coletiva. Impecável. Desde o cenário até a setlist  (que contemplou quase todo o In Rainbows e todos os melhores hits da banda, incluindo Creep e Fake Plastic Trees). Foi tudo perfeito, e isso não é confissão de uma fã cega. Thom Yorke, que parece meio estranho com aquele olho tosco, me surpreendeu, mostrando uma das melhores performances em palco. Faria Freddie Mercury sentir orgulho.
A colocação das câmeras no palco, resultando em imagens fodásticas no telão, mostrava cada um dos integrantes da banda. Um extremo cuidado da produção. Só louros.


   Thom Yorke: violão, voz, piano, latinhas e o que mais vier.



 
No telão, vários ângulos das caretas dele.                     




Esse revival me lembrou o orgasmo coletivo que aconteceu quando eles tocaram sobretudo Paranoid Android e Karma Police, ambas as canções de meu cd preferido, o "Ok, Computer".
O fato de esse ser meu cd favorito tem uma relação primeira com a estética dele, o estilo, enfim, toda a coisa musical e de identificação.
Mas algo muito curioso, que descobri depois de já amar o disco, é que ele foi feito em homenagem a "O Guia dos Mochileiros das Galáxias", de Douglas Adams, a bíblia nerd. O título "Ok, Computer" é uma referência a o que Zaphod Beeblebrox (o presidente das Galáxias) dizia sempre a seu computador, quando acatava as sugestões da máquina.
A música "Paranoid Android", a minha preferida, é dedicada a Marvin, o melhor personagem da série inglesa. Um robô depressivo só pode ser uma das maiores representações de sarcasmo já pensadas, e ele está lá no Guia.
Muitos amigos meus, que gostam de ambos (a banda e o livro), não sabiam dessa relação, o que me impulsionou a contar essa história aqui. Importante frisar que isso eu vi num programa da MTV, nos tempos remotos em que eu assistia a emissora.

Aproveito também para falar como estudante de teoria da literatura sobre essa série de livros. A mesma pessoa que lê Camões e adora a acuidade de Machado de Assis afirma que O Guia dos Mochileiros das Galáxias é uma das melhores obras dos tempos contemporâneos, sobretudo por sua leveza linguística, originalidade e humor inteligente.
Sem essa de que bests sellers não são obras de qualidade. Se você acha que esse livro é babaca pelo título parecer filme de adolescente, desconstrua isso já e pegue o primeiro livro da série para ler. Vale a pena.


 Marvin, o Androide Paranoide. 

De um modo geral, percebe-se na estética do "Ok, Computer", de Radiohead, muitos elementos que dialogam com o cosmos do livro de Douglas Adams. Nas músicas, o futurismo e a ficção extrapolam os limites do clichê e do lugar-comum. Radiohead consegue explorar os elementos eletrônicos sem sufocar o lirismo musical, misturando os instrumentos aos "crec-crecs" fabricados de uma maneira viciante.

Se eu já gostava do cd sem saber que ele era um diálogo com um de meus livros favoritos, depois de saber disso e de atestar pessoalmente a qualidade musical do Radiohead, Paranoid Android entrou para a tilha sonora da minha vida. Dignidade pura.

5 comentários:

Milena disse...

Sabe, eu trabalhei em livraria e na minha época ler best seller (pelo menos pra mim) era uma coisa que não deveria ser feita.
Não digo que isso tenha mudado bastante, mas hoje eu me permito ler esses tais clássicos sem os preconceitos bestas de antes. Esse livro eu nunca li, e até a minha morte vou ter inveja de tu por ter ido no show do Radiohead ^^

disse...

Ah,vou nem comentar sobre o texto agora, mas pelo fato que esta postagem me fez lembrar instantaneametne que a primeira vez que aportei neste blog, a postagem na capa era jusatmente falando sobre o show.

Só acresecentaria que a cartase foi testemunhada e sentida pelos meus informantes lá. :D

Bruno Jeronimo disse...

Fui, vi, ouvi, li e venci.

Dio disse...

Não fazia ideia dessa relação entre o Guia e o Ok, Computer. Genial mesmo. Muito bom saber. :)

Ah, e é Fake Plastic Trees e não Plastic Fake Trees. ^^

:*

Abraços,
Diogo.

Rite disse...

Brigada, Dio... ;)

Foi um lapso metaplásmico lexical ;p