Sábado, 18 de Julho de 2009

Big Brother

Sorte de hoje: Encontre a felicidade no seu trabalho ou talvez nunca saberá o que é felicidade


É um Grande Irmão, ou o Orkut está misteriosamente em sintonia com a minha vida?


Não sei, só sei que foi assim.

Quinta-feira, 16 de Julho de 2009

Drogarias

- Precisa de ajuda, senhora?
- Sim. Tem Redoxon com Zinco?
- Tem sim. Tem essa embalagem com três, que sai cinco reais mais barato (...)
- Ah, ótimo. Vou levar. Tem que ser o com zinco, viu? Minha médica disse que minha imunidade vai me matar por culpa da minha pulsão de autocombustão.
- A senhora já conhece o complexo vitamínico X? Ele serve bem para pessoas que têm muitas atividades e sofrem com o estresse. Aumenta a concentração e a disposição. E ajuda muito na memória.
- Memória? Moço, estou querendo PERDER a memória! Tem algum remédio aí que faça isso? Hehe.
- Er... (Expressão de MEDO).

Balãozinho na cabeça do farmacêutico: "Como essa médica não receitou um Lexotan?".

- Brincadeira :) Esse troço não serve só pra deixar nosso xixi mais espesso não?
- Não, ele tem uma concentração baixa das vitaminas e seu corpo é capaz de absorver...
- Ok. Vou levar. Mal não vai fazer. Mas se minha memória melhorar mesmo, eu processo o senhor, tá?
- Hehehe... (Cara de quem quer fugir). A fichinha aqui.
- Obrigada!


Sorte de hoje: A felicidade nada mais é do que boa saúde e memória fraca


ReflitÃO.

Domingo, 12 de Julho de 2009

With a Little Help from my Friends *

Pergunta-clichê: "como saber que se arrependeu daquilo que se fez?".

Sei que provavelmente este será um post polêmico, porque esse é um tema que divide muitas opiniões e já tive oportunidade de ver isso na prática.

Meu procedimento para saber se me arrependi de ter feito alguma coisa na vida é o seguinte: eu me pergunto se, observando os resultados de tudo, ao voltar no tempo eu faria aquilo de novo, do mesmo jeito.
Eu sei que pensar dessa forma não é nada científico nem ajuda, porque é claro que depois de de ter passado por alguma situação, as pessoas já não são as mesmas e avaliam tudo com outros olhos. Então, se eu penso que não faria algo novamente depois de ter vivido as consequências da decisão, eu estou numa posição privilegiada, como de um vidente.
Há muitas coisas que deram errado na minha vida, mas que eu penso que eu faria exatamente do jeito que fiz, mesmo se prevesse o final.
Porque de uma forma ou de outra, eu aprendi e me trouxeram algo de bom. Aliás, só porque me trouxeram algo de bom mesmo, porque aprender a gente sempre aprende com tudo e isso não pode ser parâmetro para avaliar se um acontecimento valeu a pena ou não, já que todos nos proporcionam algum benefício (ou malefício) pedagógico.


(Meodeos, o que é o efeito de três cafés do Delta?)

Há várias coisas que eu faria exatamente igual, mesmo tendo me estrepado depois. Porque de algum modo, acho que meu tempo não foi mal usado nem totalmente desperdiçado. Ou por ter boas lembranças pra guardar, ou porque o aprendizado inevitável tenha servido para eu ser uma pessoa melhor e não pior do que era antes. Ou também por ter ganhado algumas coisas por conta do erro.
Outros eventos te fazem adquirir uma visão mais pessimista das pessoas do mundo e de tudo o mais. Por um lado, isso é bom porque você fica mais prevenido, esperto. Não comete o mesmo erro de novo e consegue detectar o problema antes que ele vire um monstrinho.
Por outro, é terrível porque sinceramente eu gostaria de só conhecer o "light side of the moon" (informe-se) forever e viver na alienação do país das maravilhas (sem precisar de alucinógenos, fikdik).
Revés tomados que te transformam em gente pessimista, desconfiada e amargurada não servem para nada e deveriam ser evitados sempre que possível. Sim, eles te ensinam... mas... não te melhoram!
E se o que os olhos não vêem, o coração não sente, é preferível viver num mundo feliz de mentiras do que numa realidade detestável. Mentiras sinceras me interessam (informe-se) sim, Cazuza, mas que ninguém jamais me conte que elas eram mentiras.

Levei várias voadoras verbais nesse fim de semana e fico feliz de ter amigos que me digam tantas verdades sem o menor problema. Combo de pessoas fodas mode ON.

Sosô disse: "Homem que tem boa pegada também tem boa despegada". Refleti.


É uma delícia ir dormir impregnado do cheiro dos seus melhores amigos. É uma delícia TER melhores amigos, saber desfrutar da companhia deles, conversar horas com eles e saber que eles sempre estarão lá. Mesmo que você os tenha abandonado por algo completamente irrelevante em algum momento.
Os seus melhores amigos continuarão com seu cheiro bom e dispostos a dividi-lo com você, mesmo te mostrando o "dark side of the moon", o que, às vezes, é bem necessário.
Há quem pense/diga que eu superestimo os meus amigos. Não. Eu os estimo.



A música de hoje é "Big Brother" de The Stephane Wrembel Trio, da trilha de Vicky Cristina Barcelona. (Influenciada por Bruno, que gosta de mim porque me influencia e de quem eu gosto pelo mesmo motivo ;})



"Com os problemas de amanhã, a gente se preocupa amanhã. Hoje eu quero... sair só, nãodemoraeutôdevolta, tchau".


* vide The Beatles

Sexta-feira, 10 de Julho de 2009

Elle est tombée

Também pra lugar algum, meu filho.
Tu podes ir, e ainda que se mova o trem, tu não te moves de ti.

Hilda Hilst


Nossa geração cria fantasmas eternos de si mesma.

Lembro que na época do colégio estava na moda ter "fotolog" e todas as pessoas descoladas tinham um. E quem não quer ser descolado quando se passou a vida escolar toda sendo coadjuvante de "High School Musical" de periferia? Sim, eu tinha um. E lembro-me que Celina, uma amiga minha, dizia sempre "imagina se nossos filhos, daqui a 30 anos, virem nesses sites da gente?!".
Bem. Se não apagarmos, ele vai ficar lá mesmo, como registro do nosso próprio cadáver, renascido em nós. E normalmente morremos (hã?? hã??) de vergonha dos nossos cadáveres do passado, dos nossos casulos deixados para trás.

Falando em cadáver e em renascimento, devo citar o conto de Murilo Rubião (informe-se), "O Pirotécnico Zacarias". Texto este que merece um comentário bem maior e analítico, missão a qual deixarei para um ensaio ou artigo acadêmico futuro, que me dará mais lucro e cansará menos as pessoas aqui.
O caso é que o personagem protagonista em questão morre, mas continua vivo. Sem spoilers, não contarei mais nada. O que é interessante disso é que nós também morremos várias vezes durante a nossa vida. E continuamos vivos.

Hoje descobri que faleceu Mora Fuentes, maior divulgador, promotor, entusiasta ad aeternum da obra e de todas as coisas de Hilda Hilst. Não sei exatamente quando nem nada.
O que me causou esse aperto foi ver que há ainda o perfil dele no orkut, onde as pessoas deixam recados dizendo "saudades" ou coisas parecidas. Há ainda um Mora Fuentes na terra? O seu perfil no orkut é uma sombra do que ele foi, ou é ainda ele mesmo? No céu, no inferno, no purgatório ou simplesmente no limbo há internet?
Ficou aí o Mora, que pode receber recados ainda.

O que me parece mórbido mesmo é as pessoas tratarem um perfil virtual de um morto como um ser materializado.
O que me parece mórbida mesmo é a vida, não as mortes.

E para ser mórbida, porque sou viva (?) e para fazer pirotecnia: "Mora, vai com Deus e fica com Hilda."



E a música é "Socorro", de Arnaldo Antunes.

Quinta-feira, 2 de Julho de 2009

Diet

Todo mundo vem me perguntar sobre como eu fiz para perder vinte quilos em um ano. "- Nossa, foi rápido!". Rápido? " - Mimimi, me ensina como faz!".

Deixar de consumir aquilo que você gosta muito e está acostumado a ter no seu cotidiano é uma barra. É uma questão de prazer (serotonina, eu te odeio), mas principalmente de vícios. E é justo contra o último que a gente se joga no gel para conseguir o que se quer.

É olhar aquele pudim que você tanto ama ali em cima... Aquele tão gentil, inteligente e agradável que um dia te olhou de um jeito tão legal... Ele ali na bandeja, totalmente ao alcance de suas mãos bem nutridas e você tem que dizer NÃO. - Não, pudinzinho de leite, você não foi legal comigo durante todo esse tempo e só me fez mal, neijos!
Vai lá, se concentra no mal que aquela coisa deliciosa vai te causar alguns minutos depois do enorme prazer de degustá-la. Exercite-se.

Fazer dieta é socar a cara daquilo que você gosta e sabe que o faz feliz. E que você quer. E tem horas que parece que grudaram pregos lá e suas mãos ficam um horror depois do segundo ou terceiro round.
Fazer dieta é parar de fumar, é não tomar o primeiro gole, é não telefonar. Fazer dieta é ter amnésia à contragosto do gosto bom das coisas que você não pode mais sentir.

As recaídas são normais. Imprescindíveis, eu diria. São extremamente necessárias, assim como pegar um pouco de fôlego quando se está nadando.
Porém, elas requerem uma atenção muito delicada e especial. Há uma linha muito tênue entre o permissível e o que coloca toda a dieta a perder. Não é fácil saber ao certo, há de se contar com um pouco do seu bom senso e sorte. Um pouco de raiva de alguma coisa pode ajudar a manter o foco.

O tempo, ele vai ser seu pior inimigo e seu melhor amigo nesse negócio. No quadro, ele se parece com uma cobra que engoliu o próprio rabo: vai chegar a hora em que ela vai se engolir inteira e morrer por si mesma. Antes disso, tudo é agonia. Depois, autofagia.

Se você conseguiu, durante um ano, dizer não a tudo aquilo que lhe dava tanto prazer e chegou num estado de indiferença diante de tudo, YOU'RE ROCK (informe-se). O que mais pode não dar certo que dependa só de você?
Com a ajuda das fugidas - nas horas e medidas estratégicas! -, você vai conseguir deixar de consumir os venenos que só vão te dar espinhas, rosto oleoso, azia e muito tecido adiposo. (Ah, mas o tecido adiposo nos protege tanto do frio...)
Quando estiver adaptado à boa comida (mesmo que ela não tenha o brilho e a beleza dos pudins), você mal vai poder olhar para aquele pudim lá de cima sem sentir sérias náuseas.


Trying to.


E como gostaria realmente de estar falando sobre dietas...

Segunda-feira, 29 de Junho de 2009

Ergueu no patamar quatro paredes flácidas *

Obs.1: Todos os créditos desse post vão para Rebeka Maia.

Obs.2: Dedico isso a meus amigos arquitetos, que não leem isso aqui (a se observar a oração adjetiva explicativa, não restritiva).


Ao projetar uma edificação, é necessário que haja um engenheiro, de antemão, e um arquiteto, se o camarada tiver recursos para isso. O fato é que pode-se ter uma construção básica, que pode ser feita sem o arquiteto, conquanto isso não signifique que o trabalho dele não é importante.

O caso central é que reformar uma casa é sempre muito mais trabalhoso do que construir uma.
Para construir, você tem aquele espaço vazio, que você pode usar da melhor forma que você conseguir projetar. Faz uma sala menor, se você gosta muito de cozinhar, e deixa um espaço maior para a cozinha. Se na casa não há gente muito gorda, dá para fazer umas portas mais estreitas, sem prejuízo a ninguém.
Você vai ter que erguer paredes, abrir janelas, portas, corredores. Pensar na funcionalidade daquilo de acordo com o nascer do sol e com o fluxo dos ventos naquela localidade. Dá um belo de um trabalho sim. Mas que bom! Você vai erguer tudo do zero, e pode usar o espaço da forma que bem entender.

Para reformar uma casa, há um tremendo labirinto e problemas que se entrelaçam, formando algumas encruzilhadas (Sheldon não gosta quando encruzilhadas se colocam na vida dele, nem eu). Mexer numa parede pode causar problemas na estrutura do prédio como um todo e você não tem como saber muito bem se não tiver uma boa planta do lugar deixada pelo engenheiro primeiro. Se você abre uma janela ali, pode desabar a parede inteira. Ou nem isso: o morador pode detestar o novo fluxo de vento que se instalou na casa por razão da nova passagem de ar.

Além disso, há os moradores anteriores.
Morar em casa onde gente já morou é uma completa cilada, Bino. A galere também chegou lá e foi mexendo na estrurura original do lugar, deixando janela onde não devia haver e tapando portas, que dificilmente poderão ser reabertas.
E há aqueles lugares da casa onde, depois da primeira reforma, não dá mais para mexer de maneira alguma. O primeiro que fez a bosta da obra ali estragou tudo e agora o próximo morador vai ter que se virar para ou conseguir se acostumar com a estrutura bizarra que se instaurou , ou ele pode tentar ir mudando aos poucos aquele ambiente. Colocando uns quadros novos, ou umas barras de gesso com luminárias em cores quentes, até disfarçar um pouco a cagada (desculpa, mãe) dos outros.

O ideal?
Não alugue. Não deixe ninguém morar no seu prédio, que foi feito somente para você.

E se você for alugar algum apartamento, pense muito bem antes de fazê-lo. Você não sabe quem morou ali antes. Nem o que de ruim aquele inquilino deixou nos principais cômodos da casa, que você não vai poder mudar. Você não sabe quantos buracos de pregos há naquela enorme parede coberta por um papel de parede agradável, que esconde tudo.
Talvez ele tenha estragado toda a parte elétrica também e você tenha que jantar à meia luz a vida inteira. Salvo se você for um excelente, paciente e insistente engenheiro. E tiver grana para pagar uma nova fiação de primeira.

Não alugue nem reforme. Compre o seu AP e cuidado com quem coloca dentro dele.

Arquitetos de qualidade, vocês são meus herois (sem acento).

Neijos.



* E a música é "Construção", de Chico Buarque. Deus lhe pague.

Segunda-feira, 22 de Junho de 2009

Uncool

O segredo é se matar a si mesmo aos poucos. E deixar viva só a parte que interessa.


Só o amor incompleto pode ser romântico.

Beijos, Woody.



PVT: As indústrias de geléia diet só contratam HOMENS para projetar os potes. Fato.

Quarta-feira, 10 de Junho de 2009

A Gangorra

A todos os fantásticos companheiros de gangorra.
Dessa semana, especialmente.



No Ibirapuera, havia, além de outros brinquedos, uma gangorra.
Estava bem no clima "posso ser ridícula, estou longe de casa", então quis experimentar a geringonça com a qual eu não brincava há anos.
Mas a gangorra é um brinquedo peculiar: ela precisa de duas pessoas de pesos muito parecidos para que o jogo funcione bem para os dois participantes. Dos que estavam lá, o que pesava mais próximo a mim era o Coni, então intimei-o a ocupar a oposta extremidade daquela comprida tábua colorida.
Nesse brinquedo, ora você está na posição mais alta - e a outra pessoa tem que segurar embaixo -, ora é a sua vez de dar ao outro a oportunidade de curtir a visão panorâmica do local e a brisa gostosinha na altura. Alguns gostam de fazer isso com bastante velocidade, instaurando um sobe-e-desce meio frenético que joga um teco de adrenalina no sangue.
Rimos litros. A brincadeira funcionou. Por quê?

1- O Coni pesava somente 5kg a mais do que eu, o que não impedia que eu conseguisse segurá-lo lá em cima quando era a minha vez;
2- Ele me segurava lá em cima quando era a sua vez e não conseguia ficar me prendendo no alto (como às vezes tenta-se fazer, para deixar a pessoa presa, sem poder descer), porque eu tinha o peso e a força suficientes para fazer o meu lado descer;
3- Eu e ele queríamos brincar e estávamos nos divertindo reciprocamente com aquilo.

Se alguém pesa muito mais do que você, vocês nunca conseguirão brincar de gangorra direito. O segredo da brincadeira consiste no equilíbrio. A outra pessoa, mantendo você no alto o tempo todo, vai ficar entediada (para não dizer melhor...) e vai cansar de brincar logo, logo, embora ela estivesse com muita vontade.
E se você é o mais pesado, vai ter a oportunidade de sentir como é ruim parecer enterrado no mesmo lugar, porque o outro lado da gangorra não tem força para levantá-lo dali.
Há gente muito, mas muito pesada mesmo, e que nunca consegue achar outra pessoa igual para brincar de gangorra. Estas sempre vão ficar na parte baixa, dando só à outra, a mais leve, a chance de aproveitar a brisa, a emoção e o canto dos pássaros.

Os muito leves, esses só conseguem ficar sempre lá em cima, aproveitando sozinhos o bem bom do brinquedo. Eles não empurram seu peso para baixo. Alguns porque estão muito ocupados se divertindo no alto, outros porque não conseguem mesmo. Eles são ridiculamente limitados a seu pouco peso, tão pouco que é incapaz de manter outro seguro em um lugar bom.
Para estes, as gangorras não deveriam existir, pois isso fere todos os princípios da brincadeira, mesmo que os dois queiram brincar. Para estes, restam somente os iguais a eles. Para mim, parece justo.


O melhor da gangorra não é quando a tábua fica reta, em paralelo ao chão. É justamente o movimento sincronizado de subida e descida entre os lados opostos. Vaivemvaivemveivemveivem.
Existem os pesados demais, os leves demais ou os de peso normal. Na hora da gangorra, nada disso importa. Interessa tão somente que os dois brincantes estejam em conformidade de peso.


É fascinante como os eventos corriqueiros, empíricos e prosaicos podem nos ensinar infinitamente melhor sobre os nossos próprios erros do que os enormes tratados de psicologia e comportamento humano.


Beijes bem pesados, querides.

Sexta-feira, 5 de Junho de 2009

Quartinho Secreto

As pessoas todas são incrivelmente inseguras e medrosas. A gente tem o maior medo de conhecer os outros e principalmente de que os outros nos conheçam. Parece que isso significa que o outro vai ter acesso àquela sua senha secreta que viabiliza a entrada dele naquela salinha proibida e que é justamente o seu calcanhar de Aquiles.
Realmente, é uma bela golfada quando entram lá e não fazem jus à honra que é estar ali. Tripudiam, comem, bebem e deixam o lixo lá para você limpar. Então a gente tranca tudo mesmo, coloca cadeado logo na porta da frente pra não correr o risco de invasão de novo.

Ao mesmo tempo, numa casa trancada não entra ninguém. Inclusive os desejáveis, agradáveis, divertíveis e inesquecíveis.

As coisas todas são mesmo um paradoxo e as decisões são encruzilhadas quase sempre irremediáveis. Remédio? Dorflex serve para todos os tipos de dores.


Quem fala aqui é alguém que tem mania de justificativas. De justificar textos, de editar coisas no power point. Tem mania de dicionários. Que é compulsiva por abacaxi. Que faz questão que os outros reconheçam a sua singularidade (do que ela mais se orgulha, não sei por qual motivo). E acha que só ela é singular no mundo, iludida. Alguém que sabe que falar na terceira pessoa é sinal de autismo e de uma fase transitória de reconhecimento do ego.
Alguém que tem uma mania patológica de sentir saudade dos outros e se sente vulnerável por isso. Que sempre se arrepende do que fez e do que não fez, por isso não faz a menor diferença agir ou não.
E que tem o maior medo de contar para os outros tudo o que ela é. Por medo de os outros terem acesso à salinha pequena e escura, onde tudo é mais instável.
Mas ela já reconhece isso. Não que queira mudar, porque, nesse momento da vida, mudar qualquer coisa parece um esforço muito grande e ela quer evitar a fadiga.

Mas ela gosta de conversar e é compulsiva por conversas estranhas e entrelinhas.
E ela ama escrever, e pensa que a escrita é sua salvação de todas as coisas da realidade. E ela se envaidece absurdamente quando comentam sobre o que ela escreve. Muito mais do que quando dizem que o cabelo dela é bonito ou que ela está em forma.
E ela acha podre quem escreve explicitamente sobre si em blogs, porque ela acha isso uma exposição desnecessária.

Mas e daí?

Ela ama Alberto Caeiro dizendo que "ter pressa é crer que a gente passa diante das pernas" e que "sentir é estar distraído".

Terça-feira, 2 de Junho de 2009

Para um pouquinho, descansa um pouquinho, 550 Km.

Os pesos, eles se mensuram por quilos. As distâncias por quilômetros. A água por litros.

O tempo, para ele inventaram os segundos, minutos, horas, dias, semanas, meses e anos. Décadas, séculos, milênios. De uma hora para outra, quantos sorrisos se percorrem?

Como se mede um sorriso?

Qual unidade se usa para dizer o tamanho do sentimento? É de medida constante?

E eu, como eu me meço? Em distância? 168 centímetros do meu pensamento para o chão. E o meu peso?

Se pudéssemos escolher nossas unidades de medida, eu certamente escolheria para mim a palavra.

215 verbos de idade

Peso 1000 adjetivos

E infinitos substantivos abstratos sentidos.

Sem as palavras não há peso, nem distância, nem tempo. Só há as medidas. Mas quem as entende?

O que é a distância senão o espaço ausente que há entre uma pessoa e outra? Importam os metros?

É, Carlos (informe-se), parece que a minha palavra também será a minha eterna procura.