terça-feira, 22 de junho de 2010

O cacto

Estava lá, o mínimo mimoso mimo que recebeu.

A planta parecia inadequada para quem quer apresentar gentilezas, mas ele dizia: "- Os cactos são fortes. Eles têm espinhos, que os protegem do sol e da transpiração, afugentam os animais sedentos no deserto. A beleza deles está justamente em sua rudeza".
Achava estranho todo aquele discurso, sempre havia pensado que as flores deveriam representar delicadeza, antes gerânios amarelos, Santa Bárbara, mas que jeito estranho de gostar.
Colocou as duas miniaturas da planta que recebera como símbolo de amor na janela de seu quarto. Deve levar bastante sol esse negócio, se ele vive no deserto. E quase nunca colocava água. Os manteve ali mesmo só por polidez, para que se ele perguntasse, ela os pudesse mostrar.
A verdade é que os achava horríveis, quem mal gosto me presentear com uma planta feia dessas.
Preferia umas rosas que murchassem na semana seguinte, mas que deixassem seu cheiro bom pela casa.

2 comentários:

Milena disse...

eu preferiria ganhar cactos. eles são pra cuidar, as flores morrem no outro dia.

disse...

A morte das flores no outro dia é mais um capítulo da beleza delas :D