segunda-feira, 19 de abril de 2010

Influentes

Se os afluentes são metáforas da natureza para os braços das gentes, o alcance de cada um deles oscila com a extensão do rio que lhes dá origem.
O toque em cada coisa deságua na alma dos que têm alma; as veias são como os caminhos de areia, visgo de fiozinhos d'água limpa ou suja, do capibaribe - capiberibe -, abaeté, tietê, iguapé,,,,,,, Os rios de hoje, e os toques dos afluentes - o que será deles, meu Deus?


A geografia do corpo é inteligente. O corpo que tem geografia, matemática, biologia, química, física, história, geometria, língua dos dedos, vazam correntes - pra fora, pra dentro - e quanto mais largo o afluente, mais água vai-e-vem, água boa?


A água é boa condutora; leva a alma para os dedos e o mundo para dentro.
A água do rio é outra a cada instante, mas o rio é o mesmo.

Eu rio, tu ris, ele ri, nós rimos. Deles, riem. De rien.


Um comentário:

Milena disse...

"O rio secou, amor. Passei pela ponte hoje e vi que o barco da nossa vida não passa mais por lá. Os pescadores não jogam mais a rede pra pescar peixes e ilusões. Não há mais reflexos porque não há mais água. Não há mais amor porque não há mais nós. Eu não sei explicar porque nem quando, e também é complicado explicar quando e como um rio seca. Na verdade, a gente só percebe isso no dia em que passa pela ponte e não se vê no reflexo. Não acho que chover irá resolver o problema e nem sei se quero que o rio seja novamente navegável por nós. O fato é que o descuido tomou proporções maiores que as devidas, de forma que a essa altura do campeonato não vejo solução. Nós não naufragamos, que fique claro. Nós apenas não cuidamos com carinho e atenção do curso das nossas vidas, ou da nossa vida juntos. É hora de abandonar o barco no pier e seguir essa vida andando pelas ruas a procurar um lugar à sombra. Ou ao sol. Se cuida e cuida para que o sangue não seque às veias, o nosso rio particular."

"A geografia do corpo é inteligente. O corpo que tem geografia, matemática, biologia, química, física, história, geometria, língua dos dedos, vazam correntes - pra fora, pra dentro - e quanto mais largo o afluente, mais água vai-e-vem, água boa?

Pois é,