Seu Lugar
3 na Massa
Nas minhas curvas e esquinas
Vivem desejos que fogem das mãos
Fazendo o coração corar de vez em vez
Vivem desejos que fogem das mãos
Fazendo o coração corar de vez em vez
O lugar onde você deve chegar
O endereço onde você vai ficar
A minha avenida você vai andar
E agora eu já sou o seu lugar
O endereço onde você vai ficar
A minha avenida você vai andar
E agora eu já sou o seu lugar
Dentro de mim
Você vai morar
Você vai morar
O perfume agora é quem vai mandar
O caminho é certo e não tem como errar
Vou enladeirar as vias
Desse seu lugar
O caminho é certo e não tem como errar
Vou enladeirar as vias
Desse seu lugar
Você não vai se perder
Eu vou lhe achar.
Eu vou lhe achar.
Esta definição me dá sensação de grandiosidade. Fico imaginando que o nosso planeta deve ser muito importante para o universo. Estou errada. O planeta é importante para nós, humanos, que vivemos nele. Sem nós, o planeta terra é mais um corpo celeste entre tantos outros, que pode sumir da galáxia com uma corriqueira explosão, como essas que acontecem a todo minuto com as estrelas.
A nossa capacidade de compreender o tamanho e a importância das coisas está extremamente atrelada à nossa percepção individual. As coisas se definem a partir do que nós somos e sentimos sobre elas. Assim, nossa relação com as outras pessoas também carrega o fardo do egoísmo: gostamos dos outros pelo que eles podem nos causar de prazer, bem estar e felicidade (com exceção dos sádicos). Quando não nos servem mais, são um estorvo.
Aprendemos na escola que o planeta Terra realiza dois movimentos, o de rotação e o de translação. O movimento de rotação é aquele em que o globo dá voltas a partir de seu próprio eixo, não importando os outros astros a sua volta. Esse movimento nos proporciona a existência dos dias e das noites. A translação é o movimento da terra em torno do sol, astro que proporciona a existência e a manutenção da vida no nosso planeta.
Os dois movimentos têm naturezas distintas. Na rotação, a terra se mexe, mas não sai do lugar.
Gosto de pensar nossos movimentos no espaço e dentro de nós mesmos como os movimentos da terra, porque é preciso que encontremos um equilíbrio entre os movimentos sobre nosso próprio eixo e os que nos levam a outros lugares, nos fazendo exercitar mudanças em nossa natureza. Há pessoas que realizam apenas trânsitos de rotação: giram 360 graus em torno de si mesmas e sempre voltam ao mesmo lugar. Na aventura ao redor do sol, ocorrem as mudanças de estações. Algumas são mais agradáveis do que outras, mas a existência de cada uma delas faz a outra ter sua especificidade e valor.
Gosto de pensar nossos movimentos no espaço e dentro de nós mesmos como os movimentos da terra, porque é preciso que encontremos um equilíbrio entre os movimentos sobre nosso próprio eixo e os que nos levam a outros lugares, nos fazendo exercitar mudanças em nossa natureza. Há pessoas que realizam apenas trânsitos de rotação: giram 360 graus em torno de si mesmas e sempre voltam ao mesmo lugar. Na aventura ao redor do sol, ocorrem as mudanças de estações. Algumas são mais agradáveis do que outras, mas a existência de cada uma delas faz a outra ter sua especificidade e valor.
A terra continua fazendo esses movimentos desde que existe, e continuará a ser assim daqui a milhões de anos. O relógio, as estações, os dias e as noites continuarão existindo. Os prédios, avenidas, os passeios públicos continuarão lá. A memória dos lugares se constrói por pessoas e por sua relação com os lugares (minha amiga arquiteta Mirela Duarte me ensinou que isso se chama "Espírito do Lugar"). Nenhum lugar significa qualquer coisa sem as pessoas que o habitam. Um prédio bonito é apenas uma carcaça arquitetônica e só pode ser chamado de lugar quando pessoas dão vida a ele.
Na dança preciosa que alterna passos de rotação e de translação, precisamos encontrar o nosso eixo, a(s) nossa(s) pessoa(s)-lugar(es), que podem nos dar o calor, quando nos aproximamos, e frio, quando nos afastamos. A terra tem um eixo. Nós também. Não adianta querer fugir, andando aqui e acolá, tentando nos acomodar dentro do nosso próprio corpo. Ouvi dizer certa vez que toda mudança é dolorida porque nos tira do nosso lugar. Mas, para alguns, a mudança pode ser uma fuga, por muitas vezes ser insuportável o seu próprio lugar em si mesmo.
Um dia se perde as forças das pernas. Um dia é necessário encontrar um canto em que se encontre a paz. Não em algum lugar, mas em si mesmo. E nessa empreitada, é necessário ter companhia - e boas companhias - que se consegue com tempo, dedicação, paciência e presença. Para ter presença, é preciso que se largue um pouco do seu próprio eixo e que se caminhe em torno do outro. O outro é o melhor lugar que se pode encontrar na vida. O exercício da liberdade também se faz quando se escolhe ficar.

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